Número 10
Conheço um quase bígamo. Sinto-me desconfortável com isso.
É auto-explicativo. Conheço um rapaz, quer dizer, um homem de 28 ou 29 anos que mantém um relacionamento estável com duas pessoas ao mesmo tempo (ambas namoradas), uma oficial, outra oficiosa.
Até aí, nada de demais, tem muito cafajeste nesse mundo, né?
Mas eu sei disso. Eu sei das coisas que ele fala (não me perguntem como, porque eu quero preservar a identidade da pessoa). E me sinto muito desconfortável com isso.
Tornando as coisas mais líricas:
"Era uma vez, no reino muito muito distante de Quimera, uma princesinha que vivia num castelo bem imponente.
Nesse lugar não havia apenas um rei, mas uma comissão de reis, que já muito democraticamente decidiam tudo através de sessões e votos, sem brigar nem decidir tudo pelo poder divino. Claro que apesar das condições avançadas para a época, ainda havia certo jogo de política, o que fazia com que todos os súditos fossem muito cordiais e simpáticos com os nobres.
A princesinha Jade sabia que ocupava posição privilegiada em seu reino, afinal, era filha de um dos mais influentes reis.
Um belo dia, um dos súditos romanticamente se apaixona pela princesinha Jade e faz o possível e o impossível para tê-la em seus braços. Felizmente o amor que sentiam um pelo outro era correspondido e num ato de bravura e lealdade Estúbal sobe as torres do castelo e passa a conviver com a família real da princesinha Jade.
Contudo, Estúbal, que não era bobo nem nada, fez amizades com todos os outros reis e com todas as outras famílias reais. Em pouco tempo era íntimo de todos, já dava ordens e se sentia um príncipe. Mas tudo sem pedir a mão da princesinha em casamento.
Depois de algum tempo de convívio, muitos jantares e festas mais tarde, Estúbal percebeu que já tinha alcançado uma posição de destaque no reino de Quimera e sabia também que pelas regras locais poderia usufruir daquela notoriedade e até mesmo tornar-se um rei um dia. Aquilo lhe subiu à cabeça e cada vez mais deixava a princesinha Jade para escanteio.
O romantismo de outrora feneceu e cada vez mais Estúbal passava seu tempo todo com o rei.
A situação ficou insustentável e Estúbal e Jade resolveram “dar um tempo”.
Foi então que apareceu na vida de Estúbal a camponesa Flor.
Flor era uma menina simpática, sem mácula, novinha como a margarida que acaba de desabrochar. Mas Flor era decidida e encantadora. Tanto era assim que já havia sido prometida ao filho do carpinteiro de sua aldeia. Lego era noivo de Flor há seis anos e estava esperando o melhor momento para marcar a data do casório.
Flor conhecera Estúbal numa das reuniões no castelo, em que ela fora trabalhar como aprendiz. Estúbal sabia que Flor era comprometida, aliás, ele mesmo ainda mantinha sua relação com Jade, mas quem se importa? Estúbal queria mesmo era ser feliz.
E foi com esse pensamento que Estúbal jogou todo seu charme para a camponesa Flor. Claro que a inexperiente moçoila se viu louca de paixão por aquele quase nobre tão influente.
Então, Flor decidiu romper seu romance.
Não se tem notícias do quanto seu ex-noivo, Lego, sofreu com isso.
Mas o importante é que Estúbal terminou tudo com Jade, que sofrendo muito, pediu que sua família o expulsasse do castelo.
Ahá.
Aí é que começou toda a bigamia. Estúbal não queria sair do castelo e perder a amizade dos nobres. Flor já não sabia mais amar outra pessoa e Jade ainda gostava do valente Estúbal.
Triângulo formado.
Jade recebe Estúbal de volta. Flor passa tempos enganada achando que Estúbal não voltou mais para a princesa Jade e Estúbal fica tranqüilo, com suas duas pretendentes.
Até que um dia Flor é avisada de que não é a única e que Estúbal voltou para sua antiga paixão, Jade.
Se a estória fosse para crianças, Flor encontraria um príncipe encantado e viveria feliz em outro reino, enquanto Jade e Estúbal tinham filhos e cuidavam do castelo.
Mas estamos falando de um bígamo, portanto, o que aconteceu de fato foi que Estúbal continuou influente e vivendo com Jade, sem pretensão imediata de assumir qualquer compromisso maior. Contudo, manteve Flor sob sua guarda, vivendo com ela um relacionamento sigiloso fora do castelo. Flor, por sua vez, cega de paixão submete-se a ser a outra, num verdadeiro devaneio já que é óbvio que Estúbal nunca vai largar a boca do castelo.
Toda a aldeia de Flor sabe que eles se relacionam oficiosamente e que em festas oficiais Estúbal desfila com Jade e o rei, ou apenas comparece sozinho para tentar não dar na pinta. Inútil."
Eu, como boa súdita de Quimera, queria mesmo era contar para a princesa Jade o quanto ela está sendo enganada. Mas como não tenho conhecimento real, nem mesmo sei se hoje em dia ela já sabe e finge que não vê, prefiro ir mantendo o sigilo.
Et lais!
Conheço um quase bígamo. Sinto-me desconfortável com isso.
É auto-explicativo. Conheço um rapaz, quer dizer, um homem de 28 ou 29 anos que mantém um relacionamento estável com duas pessoas ao mesmo tempo (ambas namoradas), uma oficial, outra oficiosa.
Até aí, nada de demais, tem muito cafajeste nesse mundo, né?
Mas eu sei disso. Eu sei das coisas que ele fala (não me perguntem como, porque eu quero preservar a identidade da pessoa). E me sinto muito desconfortável com isso.
Tornando as coisas mais líricas:
"Era uma vez, no reino muito muito distante de Quimera, uma princesinha que vivia num castelo bem imponente.
Nesse lugar não havia apenas um rei, mas uma comissão de reis, que já muito democraticamente decidiam tudo através de sessões e votos, sem brigar nem decidir tudo pelo poder divino. Claro que apesar das condições avançadas para a época, ainda havia certo jogo de política, o que fazia com que todos os súditos fossem muito cordiais e simpáticos com os nobres.
A princesinha Jade sabia que ocupava posição privilegiada em seu reino, afinal, era filha de um dos mais influentes reis.
Um belo dia, um dos súditos romanticamente se apaixona pela princesinha Jade e faz o possível e o impossível para tê-la em seus braços. Felizmente o amor que sentiam um pelo outro era correspondido e num ato de bravura e lealdade Estúbal sobe as torres do castelo e passa a conviver com a família real da princesinha Jade.
Contudo, Estúbal, que não era bobo nem nada, fez amizades com todos os outros reis e com todas as outras famílias reais. Em pouco tempo era íntimo de todos, já dava ordens e se sentia um príncipe. Mas tudo sem pedir a mão da princesinha em casamento.
Depois de algum tempo de convívio, muitos jantares e festas mais tarde, Estúbal percebeu que já tinha alcançado uma posição de destaque no reino de Quimera e sabia também que pelas regras locais poderia usufruir daquela notoriedade e até mesmo tornar-se um rei um dia. Aquilo lhe subiu à cabeça e cada vez mais deixava a princesinha Jade para escanteio.
O romantismo de outrora feneceu e cada vez mais Estúbal passava seu tempo todo com o rei.
A situação ficou insustentável e Estúbal e Jade resolveram “dar um tempo”.
Foi então que apareceu na vida de Estúbal a camponesa Flor.
Flor era uma menina simpática, sem mácula, novinha como a margarida que acaba de desabrochar. Mas Flor era decidida e encantadora. Tanto era assim que já havia sido prometida ao filho do carpinteiro de sua aldeia. Lego era noivo de Flor há seis anos e estava esperando o melhor momento para marcar a data do casório.
Flor conhecera Estúbal numa das reuniões no castelo, em que ela fora trabalhar como aprendiz. Estúbal sabia que Flor era comprometida, aliás, ele mesmo ainda mantinha sua relação com Jade, mas quem se importa? Estúbal queria mesmo era ser feliz.
E foi com esse pensamento que Estúbal jogou todo seu charme para a camponesa Flor. Claro que a inexperiente moçoila se viu louca de paixão por aquele quase nobre tão influente.
Então, Flor decidiu romper seu romance.
Não se tem notícias do quanto seu ex-noivo, Lego, sofreu com isso.
Mas o importante é que Estúbal terminou tudo com Jade, que sofrendo muito, pediu que sua família o expulsasse do castelo.
Ahá.
Aí é que começou toda a bigamia. Estúbal não queria sair do castelo e perder a amizade dos nobres. Flor já não sabia mais amar outra pessoa e Jade ainda gostava do valente Estúbal.
Triângulo formado.
Jade recebe Estúbal de volta. Flor passa tempos enganada achando que Estúbal não voltou mais para a princesa Jade e Estúbal fica tranqüilo, com suas duas pretendentes.
Até que um dia Flor é avisada de que não é a única e que Estúbal voltou para sua antiga paixão, Jade.
Se a estória fosse para crianças, Flor encontraria um príncipe encantado e viveria feliz em outro reino, enquanto Jade e Estúbal tinham filhos e cuidavam do castelo.
Mas estamos falando de um bígamo, portanto, o que aconteceu de fato foi que Estúbal continuou influente e vivendo com Jade, sem pretensão imediata de assumir qualquer compromisso maior. Contudo, manteve Flor sob sua guarda, vivendo com ela um relacionamento sigiloso fora do castelo. Flor, por sua vez, cega de paixão submete-se a ser a outra, num verdadeiro devaneio já que é óbvio que Estúbal nunca vai largar a boca do castelo.
Toda a aldeia de Flor sabe que eles se relacionam oficiosamente e que em festas oficiais Estúbal desfila com Jade e o rei, ou apenas comparece sozinho para tentar não dar na pinta. Inútil."
Eu, como boa súdita de Quimera, queria mesmo era contar para a princesa Jade o quanto ela está sendo enganada. Mas como não tenho conhecimento real, nem mesmo sei se hoje em dia ela já sabe e finge que não vê, prefiro ir mantendo o sigilo.
Et lais!
2 comentários:
Olhe, q bonito texto, menina! Uma verdadeira crônica! Parabéns!
É pena, Marrequinha, mas histórias parecidas com essa são mais comuns do q a gente imagina.
E pode ter certeza que mesmo q lá na frente joguem tudo no ventilador, o "Estúbal" sairá todo feliz, acreditando que "aproveitou bem a vida" e certo de que faria tudo de novo. Tbm sou homem e sei o q sujeitos assim pensam. E quanto às duas? "Tô nem aí".
Assim como vc tenho a impressão q a "matriz" sabe da "filial" e q tbm tolera por gostar dele, e pq "homem é assim mesmo".
É pena.
Sempre leio o seu blog... Gostei muito do seu texto, e tb conheço uma pessoa nessa situação.
Será que estamos falando do mesmo cidadão?
Ah, você está linda hoje!!
Bj
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