quinta-feira, agosto 07, 2003

Idéias param na minha cabeça como água de privada...

Teorias conspiratórias:
Vamos combinar: Roberto Marinho morreu
Certo? Claro. No entanto, há uma séria controvérsia temporal.
O problema não é o fato, mas o tempo do fato.
Alguns já devem ter recebido um e-mail contando que o ilustre fundador da Vênus Platinada estava morto, e no referido documento que circulou pela internet existiam inúmeras explicações para tal fato.
Inclusive, atentavam para o fato de que o Sr. Marinho não aparecia em público ao vivo fazia muito tempo. Dia 06/08/03 – Reforma da Previdência – manchete do Globo. Belo contexto nacional, conflitos no congresso, Lula no poder.
Existiria melhor oportunidade pra ocupar todos os noticiários com a morte da figura jornalística mais importante dos últimos tempos? Nesse aspecto as coincidências parecem ter muito sentido. Até porque é sabido, principalmente por aqueles que tem uma certa noção de imprensa) que determinadas matérias são previamente feitas pelos jornalistas, como se fosse uma espécie de matéria previsível. Exemplo: o grande jurista Evandro Lins e Silva levou um tombo e ficou em coma, óbvio que todas as redações prepararam antes de sua morte várias reportagens falando sobre sua vida, obra e morte, mesmo sem ele ainda ter morrido, então o previsível aconteceu, ele morreu e pá! Matérias prontas imediatamente no ar.
Dessa maneira, podemos entender facilmente que a morte do ilustre Sr. Globo se enquadra nos requisitos do tipo de notícia que merece ter uma prévia – ser guardada na gaveta para ser usada na hora certa. Então, chegamos a uma conclusão: os jornalistas não foram na tarde de ontem, extremamente rápidos, eles apenas podem ter utilizado um material pronto, o que justifica a falta de fotos e/ou reportagens recentes sobre o tema. Porém, o mais curioso de se notar é que, da mesma forma que escrever sobre um fato previsível é fácil e vago, mais fantasioso ainda é escrever sobre um que tenha acontecido, mas que ainda não tenha sido veiculado.
Esclarecendo: fazer matérias sobre a morte de Roberto Marinho devia ser uma prática comum nas redações dos mais diversos jornais, afinal ele era uma figura de destaque, contudo, o que torna o fato peculiar é a tese de que ele já estava morto.
Sustentar a hipótese de que ele já não mais convivia conosco neste espaço terreno é inicialmente bizarra, mas se verificarmos os fatos podemos até, quem sabe, concordar. Primeiramente, ele não mais aparecia em público, principalmente ao vivo. Segundo, não foi mostrado vídeo ou aquela multidão normal de fotógrafos no hospital/casa onde quer que ele tenha pseudo-falecido (procurei matérias mais detalhadas, mas não encontrei). Ah, mas a Globo veiculou flashes ao vivo de seu velório: BO-NE-CO!
Nesse ponto, entra a parte mais macabra que seria a hipótese de que colocaram um boneco simulando o corpo do dito cujo. A família parecia consternada, mas os filhos não choravam. E o momento de sua morte foi simplesmente perfeito, como já foi observado. Para apenas aumentar nossas possibilidades de uma fraude, o jornal fundado pelo de cujus simplemente não trouxe nenhuma foto recente do mesmo. Ora, há de se convir que o dono do jornal deveria ser fotografado com maior frequência, a não ser que, estivesse já tivesse partido dessa pra uma melhor... E os políticos, e os amigos, e todo o povo brasileiro que chora a morte desta figura de tamanha importência pro país? Eles simplesmente não sabem da simulação.
Sem dúvida, o Brasil perdeu um homem de vanguarda, um jornalista que contribuiu muito pra que nossa rede de telecomunicações crescesse. Devemos muito a ele, mas já devíamos, já tínhamos perdido...
Enfim, que diferença faz?!
Roberto Marinho não dava ponto sem nó – fundou a Globo com 60 anos de idade, quando muito avô só está lendo jornal no banco de praça e jogando biriba – o último, me parece, foi morrer no dia da reforma da previdência, num contexto de mudanças, pra que as pessoas como eu, não estejam escrevendo ou falando dela, mas dele.


++escutando: Satellite - Dave Matthews band

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