terça-feira, março 11, 2003

Saiu no globo hoje, na coluna do Jabor, um belo texto sobre o filme “As Horas” e afins, como eu gostei muito do filme, e do texto, retirei alguns trechos pra compartilhar com vcs. Vale ler depois na íntegra.

"O filme é ótimo e, além disso, achei uma delícia me banhar na tristeza sem salvação, num mergulho mortal no mundo do desespero, para contrabalançar um pouco a obrigação de ser feliz que nos enfiaram na alma.
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Esse filme “As horas” nos mostra como a depressão é “histórica” também. Ela muda de cor com o tempo. Temos a depressão de três mulheres aprisionadas num cativeiro doméstico, com a sexualidade torta, escondendo homossexualismo e severa melancolia atrás de sorrisos trêmulos. As tristezas do passado são mais conhecidas. A infelicidade da mulher de hoje é mais dissimulada na alegria obrigatória.
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E talvez nosso único consolo seja pensar que, assim como Hitler nos fez amar a democracia, Bush pode estar nos devolvendo, em seu surto psicótico, uma época menos histérica, mais humana, até que a roda da estupidez volte a cobrar novas mortes.
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A fossa nos humaniza. Sejamos felizes sabendo que o happy end — invenção de Hollywood — não existe. Tudo acaba mal na vida. Vá ver “As horas” e saia revigorado pelos prazeres do bode-preto. Depois, tome um Lexotan e durma infeliz."

++escutando: The way you look tonight - Sinatra

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