A JuSá me mandou um mail com esse texto super legal, e olhem q foi escrito pra lá de 1985...
EU NÃO GOSTO DE GUERRA
Eu não gosto de guerra.
Eu não gosto de gente que esbanja dinheiro para matar melhor e se faz parcimonioso diante da fome de milhões.
Eu não gosto de gente que, primeiro destrói casa e moradias que custaram suor de gerações, para depois sentar-se à mesa de conversação e passar meses e anos a discutir, para mostrar quem foi mais culpado e quem deve capitular primeiro.
Eu não gosto de gente que tem no seu terreiro um estoque tão grande de armas que um quinto delas daria para varrer da Terra toda a humanidade. Eu não gosto de gente que para provar que tem razão, precisa perdê-la na violência.
Eu não gosto de gente que, para defender a riqueza que adiquiriu, faz milhões de pobres acabarem na miséria, milhares de ricos caírem na pobreza e algumas centenas deles se fazerem trilionários. Eu não gosto de nações que vendem armas mortíferas e infernais e depois votam, em conselho mundial, que estas armas não devem nunca serem usadas.
Eu não gosto de gente que troca alimento e petróleo, que mantém a vida, por armas que tiram o que o alimento e o petróleo mantinham vivos. Eu não gosto de gente que gasta para um tanque de guerra, o que está fazendo falta para mil camponeses produzirem mais comida para quem tem fome.
Eu não gosto de defensores que nunca defendem quem precisa de ajuda.
Eu não gosto dos desesperados, que não sabem olhar nos olhos do outro, a não ser através da mira de um fuzil.
Eu não gosto dos homens que, quando não conseguem seus objetivos, armam-se até os dentes e matam como loucos a qualquer transeunte para chamar a atenção do mundo sobre a sua causa.
Eu não gosto dos irmãos de sangue que, quando não conseguem mostrar inteligência, mostram os punhos.
Eu não gosto dos que não têm coragem de aceitar críticas e levam todas elas como um ato de guerra.
Eu não gosto de quem só sabe criticar e fazer guerra e não sabe ver as coisas boas e a terna intenção daqueles dos quais discordam.
Eu não gosto de quem mata crianças, velhos doentes, civis indefesos ou militares no aconchego dos seus lares e depois pede perdão ou diz que foi um ato de justiça.
Eu não gosto de quem pensa que é dono da verdade e da justiça porque tem mais dinheiro investido em bombas e aviões de caça.
Eu não gosto da conversa de bombas e canhões: é grossa e estúpida como um burro escoiceando.
Eu não gosto de quem não sabe que mesa de conversação é para antes e não depois que as bombas caem.
Eu não gosto daqueles que matam vinte ou trinta milhões de irmãos, para depois dizerem que implantaram ordem no mundo.
Eu não gosto daqueles que promovem a desordem para, nos escombros de milhões de homens, começar uma ordem que satisfaça às ambições deles.
Eu não gosto da esquerda nem da direita: gosto de quem é gente e respeita quem é gente.
Eu não gosto de quem acha que a paz é uma utopia.
Eu não gosto de quem não sabe o que fazer para por fim à guerra.
Às vezes eu tenho raiva de mim mesmo que nasci quase dois mil anos depois que meu Deus esteve na terra e ainda não sei como ensinar aos homens que ninguém tem o direito de matar, destruir, ou acabar com o outro para manter viva a sua verdade.
E às vezes eu tenho raiva de minha incoerência quando percebo que desejando que todos os homens vivam em paz, tenho raiva de quem conscientemente, friamente, calculadamente, cria um clima de guerra.
Eu não gosto de guerra. Mas acho que, mesmo assim ainda gosto da humanidade. É que aqueles que promovem a guerra são sempre minoria, ainda que pareçam importantes. E tenho certeza que, no dia em que os
líderes do mundo se lembrarem que eles também são povo, não haverá mais guerras.
O povo não gosta dela. Nem Deus.
(Pe. Zezinho, Revista Família Cristã, ano 40, nº 462)
quinta-feira, março 13, 2003
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