R.I.P.
- "Uma peixa como jamais se viu. Mais que isso, um símbolo!" exclamava em voz chorosa.
-Pare de dizer bobagens menina, era apenas mais um peixe dentro deste aquário!
O pai tentava de todas as formas, em seu portunhol, consolar a filha, mas parecia ser em vão. Quanto mais ele tentava acalmar a situação, mais ela chorava e alegava que a peixa tinha morrido por causa dele, que o mundo não seria mais o mesmo sem a sua Túlia.
Pois bem, o apego à "peixa" era assim tão forte talvez pelo fato de ter sido um presente de namoro, e presente de um mês!
E passaram mais de dois anos em que Túlia convivia feliz e pacificamente com a menina, nunca reclamava, pelo contrário, sempre mandava um beijinho quando a dona lhe jogava comida. Aliás, pensando bem, os beijos lhe eram mandados sempre, quaisquer que fossem as situações. Túlia foi crescendo, mas nunca conseguiu ser independente, adorava o chamego da "mãe".
Até que um dia o namoro acabou.
Túlia sentiu, na verdade sentiu na pele (ou nas escamas) o que sua dona sentira emocionalmente, Túlia passou a ser agredida pelo seu companheiro de aquário, reiteradamente. A situação não estava boa para o lado da peixa. Tentando melhorar sua vida, mais do que depressa, a dona lhe removera do aquário e Túlia passou a reinar sozinha, num lugar bem menor, mas dela. Só dela.
Tão só que passou a se sentir triste como quem termina namoro de longa data.
De modo que resolveram levá-la de volta ao convívio de sua comunidade. No entanto, dessa vez a briga foi violenta demais, e Túlia não suportou.
Morreu.
Sua dona não se conformava: "Túlia era um símbolo!!! A peixa era fiel! não merecia morrer assim, e servir de adubo!"
É... Túlia foi enterrada pelo pai da moça, a fim de se transformar em adubo para a planta que crescia na varanda.
Triste fim de Túlia.
Assim como o amor, tudo um dia pode morrer.
(para a Fábia, com carinho)
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