quarta-feira, janeiro 22, 2003

E Ela retorna...

Estava radiante e segura. Finalmente conseguiu deixar de lado as possíveis conspirações da TV e passou a entender que o problema estava realmente em sua mente. Culpar um bloco de plástico cheio de dispositivos e chips por dentro e com uma tela de vidro por fora, era apenas uma maneira de eximir-se das consequências de seus pensamentos. Agora ela estava partindo para novas aventuras. Estava feliz.
Mas essa trégua durou pouco.
Passaram apenas algumas semanas e no seu aniversário ganhou de presente um filme, uma amiga que conhecia bem seus gostos lhe deu uma fita de vídeo. Um filme, simples; conhecido até, e nada de extraordinário passou pela cabeça dela. Guardou e deixou para vê-lo assim que seus amigos saíssem da sua casa.
Mas estava evidente que nada de tão inocente assim poderia advir da televisão. Quando está escutando a abertura do filme, lembra da melodia, exatamente a música que serviu de trilha para inúmeras conversas, sonhos, cartas... Aquela que ele um dia gravara para ela escutar no carro. De novo a TV estava influenciando naquilo que ela tinha de mais precioso: seu destino.
Passado o susto, continuou vendo o filme se esforçando ao máximo para não enxergar nenhuma coincidência entre ele e qualquer situação vivida por ela no passado. Caiu no sono.
Acordou tarde e atormentada pelo que tinha ouvido, na secretária um recado deixado por ele. Cumprimentos pelo aniversário. Ficou chocada. E sentiu alguma coisa. Sentiu por ele. Sentiu raiva, tristeza, rancor, saudade, amor.Mas isso não importava, a questão era que deveria não ter sentido nada. Naquele momento o desprezo era o mais indicado. Sentir nada, apenas.
A TV liga com a música da trilha do filme, ela pula da cama, por um momento não entendeu nada, depois se lembra que a televisão tinha despertador. Assombração já era demais...


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